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Instituto do Braile - Dicas
PRA QUEM TEM MEDO DE PROLAPSO

O nome é esquisito. Para piorar, indica um defeito. E, como se não bastasse, no coração. Apesar de intimidante, o problema é inofensivo. Seus portadores vão morrer com isso, mas não por causa disso.


  


Levante a mão quem não sentiria – se é que já não sentiu o peito sair pela boca com o diagnóstico de um pomposo prolapso valvar mitral. Os portões entre o átrio esquerdo — cavidade do coração onde chega o sangue oxigenado dos pulmões — e o ventrículo do mesmo lado, de onde o liquido é bombeado para o corpo inteiro, só deveriam liberar a passagem em mão única, de cima para baixo. Para que o fluxo sangüíneo não pegue a contramão, um par de válvulas — que, juntas, formam o que os médicos definem como valva — deve se fechar com perfeição. Se uma delas parece ligeiramente empenada, aí temos o prolapso. Que é a carcliopatia mais comum da face da Terra. E, felizmente, a mais benigna de todas também.


“De 2% a 5% das pessoas sofrem de pro­lapso, mas só uni cada dez portadores pre­cisam de tratamento”, diz o cardiologista Ricardo Pavanello, do Hospital do Coração, em São Paulo. E, diga-se, a maioria nem sente nada, portanto de nada desconfia até que, quase por obra do acaso, um check-up de rotina denuncia o problema — o qual, aliás, muita gente apelida de sopro gra­ças ao som que, dizem, o fluxo sangüíneo transmite ao estetoscópio do médico ao dar marcha a ré. Vamos ser justos: outras cardiopatias também “assopram” nas orelhas dos cardiologistas. Só o exame do ecocar­diograma é capaz de confirmar se o baru­lhinho vem mesmo do famoso prolapso.


VAMOS LHE SOPRAR:


 Nome e apelido: O certo é falar em prolapso valvar mitral, mas o povo geralmente chama o problema de sopro.


 


O que significa: Que o coração do sujeito tem válvulas mitrais desalinhadas. Mitral, aliás, vem de mitra, porque o formato delas lembra o chapéu do papa.


 


Quem tem: Na média, 5% das pessoas. Mas o coração feminino - vá saber o porquê – apresenta o maior número de casos.


 


O que acontece: Às vezes nada. Porque, apesar de empenadas, as válvulas se fecham ou deixam uma brecha mínima, incapaz de prejudicar o sentido da circulação. O problema é quando, de tão tortas, elas são incompetentes. Ai, a cada batida, um pouco do sangue sempre volta para a cavidade de cima.


 


O que denuncia: O ouvido treinado do cardiologista pode auscultar, pelo estetoscópio, um som de sopro na região do peito. Mas é o ecocardiograma que dá a palavra final. Existem, claro, casos mais graves ou corações mais sensíveis, em que o indivíduo sente acelerações bruscas nos batimentos, cansaço, falta de ar, suor escorrendo...Isso, porém, é mais raro.


 


Quando se trata: Só quando os batimentos cardíacos ficam muito descompassados, por exemplo. Os médicos, então, podem receitar remédios específicos ou, em casos extremos, alinhar as válvulas numa cirurgia. Mas isso é raríssimo.


NINGUÉM ESTÁ PROIBIDO DE...



...praticar esportes só por causa um prolapso. Mas, antes de pegar pesado, é preciso mais do que nunca fazer o teste de esforço para ver quanto o peito agüenta sem se incomodar.


 


... sair para se divertir. Quem tem prolapso não está doente. Aliás, saiba, o problema pode surgir, se agravar ou manifestar sintomas como taquicardia quando a pessoa se estafa. Portanto, a ordem médica é relaxar. Vale apelar para todos os ingredientes da felicidade: sair com amigos, ir ao cinema, ler, viajar... E ainda aderir à meditação, à massagem, a tudo o que ameniza o estresse.


 


...beliscar um lanche, chupar uma bala, mascar um chiclete, desde que – adivinhe! – escove os dentes depois. Porque – eis nossa grande dica de prevenção – a boa higiene bucal evita uma das únicas grandes ameaças do prolapso, que é a endocardite. Trata-se de uma infecção do músculo cardíaco, em geral provocada por micróbios provenientes das gengivas inflamadas. O refluxo do sangue, do ventrículo para átrio, favorece a entrada dessas bactérias, se por ventura caírem da corrente sanguínea para dentro de um coração que sopra. Pelo mesmo motivo, aliás, converse com seu dentista antes de procedimentos invasivos, como um tratamento de canal. Ele poderá lhe receitar antibióticos para dizimar esses germes alguns dias antes.


 


 


Fonte: Revista SAÚDE! é Vital nº 281 -  Janeiro de 2007


 



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